segunda-feira, 13 de agosto de 2018

02 HaiKais porno-revolucionários, de Antônio de Pádua


Hai que endurecer, mas
      com ternura aguça
Kai de boca na buça.

*****

           Não confunda
       a água que abunda na roça
com a anágua que              roça
                                    na
                         bunda

Antônio de Pádua

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

terça-feira, 7 de agosto de 2018

IDENTIDADE, poema de Aldo Lins



Aliado do céu por ser azul
Tento caminhar sóbrio
Mesmo sentindo o chacal
Nos meus sensíveis calcanhares.

Tenho cinquenta sonhos publicados
Outros tantos arquivados
Sou um cavaleiro de aquário
Pertenço a uma estrela imaginária.

Entretanto, as minhas asas rastreadas
Não alcançaram o cume das montanhas,
O cheiro da dor cinza pela estrada
Revela a tristeza de minha alma.

Mas sobre tudo ou sobre nada
Há uma calçada onde passeia o rouxinol
E uma varanda abandonada
Onde moro eu o sabiá.

Aldo Lins

terça-feira, 31 de julho de 2018

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Mal e o Sofrimento, poema de Leandro Gomes de Barros


Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Leandro Gomes de Barros

quinta-feira, 26 de julho de 2018

PREVISÃO DO TEMPO, poema de Aldo Ferreira Lins

Poeta Aldo Lins (Mercado da Boa Vista - Recife - 2017)


O que esperar dos dias de amanhã
Tempestades, revoluções, armadilhas...
Morar numa bela casa de campo
E faltar pernas para correr ou jogar.

O que pensar dos dias de amanhã
Que algum inimigo me estenda a mão
Quando já alta e fria a madrugada
A rua ferida eu não consigo atravessar.

O que dizer dos dias de amanhã
Que não me falte a poesia, se o tempo mudar
Com o olhar atroz dos meus algozes
Que ao meu exílio tentaram dissimular.

O que fazer dos dias de amanhã
Semear saborosos versos no pomar,
Toda colheita e o clamor negro
Quando a turbulência e a enfermidade chegar.

Vida curta, depressa! Curta.
De repente, vinte anos sem vida.
Ninguém é mais o mesmo
Que o espelho não consiga decifrar.


Aldo Ferreira Lins

quarta-feira, 25 de julho de 2018