terça-feira, 23 de outubro de 2018
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
A LETRA "P", poema de Viviane Barroso
Na
minha máquina de escrever faltava a letra ‘P’.
E
eu ia substituindo a letra ‘P’
Por
‘T’, por ‘F’, por ‘V’.
O
tempo passava e tudo que existia com ‘P’
Se
desfez na minha máquina:
‘Paz’,
‘ponte’, ‘pássaro’.
No
começo era triste não haver ali ‘palhaço’,
‘Pipoca’,
‘picadeiro’.
Mas
aos poucos fui aprendendo a criar novas palavras
Me
aproveitando da ausência da letra ‘P’.
E
com o passar do tempo fui me sentindo um descobridor,
Um
inventor, um desbravador.
Às
vezes sim... Eu chorava a saudade da letra ‘P’.
(Chorava
só um pouco, nunca fui bom em longos diálogos com a Dor)
Fui
crescendo sem ‘pressa’.
E
percebendo que essa falta se apequenava
à
medida em que eu me transformava num grande mágico
De
um circo só meu!
Sempre
sem ‘pessoas’,
sem
‘plateia’.
Então,
depois de muitos espetáculos mudos
realizados
à sombra da minha lona,
pude
finalmente compreender
que
Poesia sempre se escreveu com ‘S’:
‘S’
de sonho, de sozinho, de silêncio.
Viviane Barroso
Este
poema é parte integrante da Coletânea Sarau da Boa Vista
Lançamento
da Coletânea Sarau da Boa Vista
Rua do Hospício, em frete ao
Teatro do Parque, Boa Vista, Recife – PE
Dia 27 de outubro, sábado,
às 19h
Mais
informações: Sarau
da Boa Vista no Facebook
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Viviane Barroso
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Sarau da Boa Vista: cultura, inspiração e resistência no Centro do Recife
Via poraqui
Por Manuel Borges
É na calçada de uma das esquinas mais simbólicas para o segmento cultural do Recife que poetas e artistas se reúnem, sempre no último sábado do mês, para expressarem sentimentos, insatisfações ou, simplesmente, contemplar as possíveis linguagens das artes.
Criado em 2013, fruto da iniciativa provocativa do poeta Aldo Lins, o Sarau da Boa Vista acontece na Rua do Hospício, Centro do Recife, e é uma maneira de fomento cultural em um local tão representativo para a classe: em frente ao Teatro do Parque, equipamento fechado desde 2010.
A cada edição um poeta ou poetisa recebe homenagem, o que acarreta em uma rotatividade de público e pensamentos que só vem a somar nesse encontro da música com poesia. “O barato do Sarau da Boa Vista é que sempre se renova, seja por poetas novos, músicos ainda inéditos no Sarau e pelo público diversificado”, diz Aldo.
Com 59 edições realizadas até agora, o Sarau da Boa Vista já recebeu dezenas de poetas, cantores e músicos da região ao longo dos 5 anos de existência e, em setembro, se prepara para uma edição comemorativa e especial.
Boa Vista de resistência e inspiração
Poeta Aldo Lins
Considerado pelos artistas um catalisador de diversas vozes sob o prisma da arte e a benção do Teatro do Parque, o Sarau da Boa Vista é a resistência personificada do gueto artístico, identificado com diversos segmentos sociais.
Para Aldo Lins, um apaixonado pela junção da poesia com o bairro da Boa Vista, o Sarau passou a ser mais que um movimento artístico, mas sua própria força vital. “O Sarau me deu vontade de renascer, de viver”, revela.
Quando Aldo Lins chegou em Pernambuco não imaginava que, futuramente, estaria à frente de um dos mais duradouros movimentos de resistência cultural do Centrão do Recife.
Ele começou a escrever poesias aos 16 anos, depois de ler as cartas que sua mãe recebia de seu tio exilado e enquanto ouvia os cantadores de viola no rádio em Cajazeiras (PB), sua cidade natal.
Quando saiu da Paraíba, há 26 anos, Aldo se estabeleceu na praia do Janga, em Paulista. Mas foi sua mudança para a Boa Vista que o fez florescer de vez para a poesia e integrar ações artísticas na capital.
Na ocasião do lançamento do seu primeiro livro, Alma de Vidro (2002), Aldo recebeu o convite do poeta José Terra para, junto a outros artistas, realizar o Hospício Poético, movimento literário ocorrido na Rua do Hospício durante o ano de 2004.
Com o fim do Hospício Poético, Aldo passou a organizar uma nova forma de promover a poesia no Centro do Recife. Resultado da sua relação íntima com o bairro e o do incentivo de amigos, o Sarau da Boa Vista ganhou vida e solidez, passando a retratar a “poesia praticada nos bares, nas ruas, nas praças, nos mercados públicos, nas pontes do Recife”.
Seja pela inspiração na boemia da Boa Vista para escrever ou por estar à frente do Sarau, Aldo não imagina viver em outro local que não o bairro que o acolheu há 18 anos.
“Sair da Boa Vista? Nunca pensei nisso. Não me vejo morando em outro lugar que não aqui”, diz em conversa com o canal Coração da Cidade.
Entre os poemas dedicados ao bairro, Aldo escreveu Bandeira da Aurora e Mercado da Boa Vista, que podem ser conferidos no blog do autor.
Edição especial e comemorativa
No mês em que o Sarau da Boa Vista realiza sua 60ª edição será lançada uma antologia reunindo poetas que já passaram pelo recital e de outros estados do Brasil.
A Coletânea Sarau da Boa Vista traz, além do próprio Aldo Lins, nomes como Adriana Barbosa, Adriana Perruci, Gilmar Serra, Carlos Maia, Jetro Rocha, Tamires Drielly, Viviane Barros (RJ) e Vlado Lima (SP). E essa grande celebração da cultura independente do Recife já tem data e hora para acontecer: 29 de Setembro de 2018, às 19 h.
Considerado pelos artistas um catalisador de diversas vozes sob o prisma da arte e a benção do Teatro do Parque, o Sarau da Boa Vista é a resistência personificada do gueto artístico, identificado com diversos segmentos sociais.
Para Aldo Lins, um apaixonado pela junção da poesia com o bairro da Boa Vista, o Sarau passou a ser mais que um movimento artístico, mas sua própria força vital. “O Sarau me deu vontade de renascer, de viver”, revela.
Lançamento da Coletânea Sarau da Boa Vista
Rua do Hospício, em frete ao Teatro do Parque, Boa Vista, Recife – PE
Dia 29 de setembro, sábado, às 19h
Mais informações: Sarau da Boa Vista no Facebook
terça-feira, 28 de agosto de 2018
Moral e Cívica II, poema de Alex Polari
Eu
me lembro
usava
calças curtas e ia ver as paradas
radiante
de alegria.
Depois
o tempo passou
eu
caí em maio
mas
em setembro tava pelaí
por
esses quartéis
onde
sempre havia solenidades cívicas
e
o cara que me tinha torturado
horas
antes,
o
cara que me tinha dependurado
no
pau-de-arara
injetado
éter no meu saco
me
enchido de porrada
e
rodado prazeirosamente
a
manivela do choque
tava
lá – o filho da puta
segurando
uma bandeira
e
um monte de crianças,
emocionado
feito o diabo
com
o hino nacional.
Alex
Polari
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
VAN CANTIGA A VINCENT, poema de Inaldo Cavalcanti
O
vento visita o verde
No
olhar maravilhado
De
um homem menino.
Eu
te vi no vento
-
Loucura luminosa
Por
um deus esquecida –
Invadir
a janela
De
um pobre calendário.
Eu
te vi no vento
E
me lembrei da vida.
Inaldo
Cavalcanti
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