sábado, 23 de maio de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009

ENCONTRO
Te encontrei no lugar e na hora certa
Tu que eu já conhecera em sonhos
Fizeste brilhar os meus olhos tristonhos
Na casa vaga, fria, silente e deserta.
Alquimista que sou de lágrimas e rios
Trago ainda no peito tatuado
Fotografias de um luto moldurado
No espelho que me vê em desafio.
Sentir aquele corpo belo tão perto
Luz do sol em euforia e espanto
Começo e fim de todas as mágoas.
Despertou desejos encobertos
Fez se erguer na escadaria dos encantos
O sexo, sim, mãe de todas as almas.
Aldo Lins.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Bandeira da Aurora.
Contemplo a arquitetura da AuroraRecreio dos pássaros da Boa Vista
Do seu cais palco sempre dourado
E de museus falando as suas horas.
Aurora musa dos sonhos de Bandeira
Mãe de tantos andarilhos girassóis
Plataforma de olhares impassíveis
Transmutados pelo pão de cada dia.
Aurora monumento à liberdade
Descortina o Palácio das Princesas
E acolhe os eternos namorados
Embriagados com a lua do seu rio.
Quisera eu aqui ter vivido
A aurora azul da minha vida
Nesta via de perfeita geometria
Entre a fumaça e névoa da cidade.
Aldo Lins.
sábado, 6 de setembro de 2008
Evangelho de Aquárius.
Caminha sobre as águas
Transforma as tuas mágoas
Em gaivotas azuis sobre o mar
Joga as cinzas, todas as cinzas
Nos túmulos dos verdugos
Que hoje nasceu a paz.
Prende a tua dor entre as ruínas
Ergue duas colunas de vidro entre as colinas
Que nas catedrais em que se enfraquecem os sonhos
Há fortalezas de homens e mulheres oásis.
Deixa que esta nuvem de açucenas
Conduza este corsário que voa
Como galo de rinha em arco e flecha
Porque na fragrância flagrante de teus olhos
Há uma sombra que assombra as minhas pedras.
Levanta
Sob os acordes das trombetas
E na bênção dos seios maternos
Rasga o véu que esconde os teus desejos
Porque as mãos que seguram o medo
Não exorcizarão jamais esta calma assassina.
Aldo Lins
Cachaçatômica.
Me armei com o copo e a espadaE a minha lança perfumada
Como um infante
Que perdeu a infância
E a infantaria.
Não reconheci o meu inimigo
Só no espelho o coração ferido
Como um cavaleiro
Que perdeu a dama
E a cavalaria.
Arremessei cem copos
De goela abaixo
E atrevessei a rua
Como um artilheiro
Que perdeu o gol
E a artilharia.
Aldo Lins
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