sábado, 5 de maio de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CANTO SELVAGEM - ALDO LINS

Seria jocoso o canto do jurití
Se a jaquatirica não judiasse da jacutinga
Vendo joviais jandaias num juazeiro
E a jerivá estendo a esteira para o jabití.

Jenipapos ao lado de um jaquitibá
A jurema brotando um cheiro de jasmim
Jararacas mergulhando com os jacarés
E a bengala de junco com o verniz do jatobá.

Uma morena jambo junto do jacarandá
Tornaria um jazigo numa jazida
Se um japonês numa jangada
Nâo jurasse levar tudo isto pra lá.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Identidade - Aldo Lins




Aliado do céu por ser azul
Tento caminhar sóbrio
Mesmo sentindo o chacal
Nos meus sensíveis calcanhares.

Tenho cinquenta sonhos publicados
Outros tantos arquivados
Sou um cavaleiro de aquário
Pertenço a uma estrela imaginária.

Entretanto, as minhas asas rastreadas
Não alcançaram o cume das montanhas
O cheiro da dor cinza pela estrada
Revela a tristeza de minha alma.

Mas sobre tudo ou sobre nada
Há uma calçada onde passeia o rouxinol
E uma varanda abandonada
Onde moro eu o sabiá.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Bailarina - Aldo Lins




Em certos momento eu te procuro
Sem saber por onde andas na noite
Em que céu de estrelas brincas
Feito borboleta sonhando ser pássaro.

Em que palco exibes teu corpo
Feito letra morta neste teclado
Se te procuro a cada esquina
Ouvindo os teus acordes musicais.

Por quê não usar os antigos sapatos
Presenteados pelos teus no aniversário
Quando eras pétala preciosa, rara, divina
Mas que hoje pisa em quem de te se aproxima.

Para que sombrear os teus olhos
Os teus cristais, o teu arco-íris
Se ainda guardas o reflexo de menina
E podes versejar de rosto límpido.

Mas somadas as tuas esquisitices às minhas
Revelará que para sempre fomos feitos
Da mesma água e da mesma pedra
Do fogo e do mesmo ar que rolam para o mar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Bicho - Manuel Bandeira



Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Rio, 27 de Dezembro de 1947

Tatuagem na Água - Jaci Bezerra



No Recife me perco e me inauguro
Pisando acácias e éguas machucadas,
No bolso o sol ferido, um sol maduro
Escorre, úmido, e acende a madrugada.
Uma árvore brota no meu peito impuro
Acalentando a infância que, abismada,
Brinca dentro de mim e dói no escuro
Sempre por um menino acompanhada.

Nunca a essa cidade fui perjuro
Nem nunca a reneguei, talvez por isso
Ela me planta e aninha entre os seus muros,
E eu a carrego em mim, arrebatado,
Apodrecendo nos mangues dos seus vícios
E amando como se nunca houvesse amado.